Enólogos

Antes de existir um grande vinho, existe uma visão.

Na Terroirs falamos de regiões, castas, solos, vindimas e colheitas. Falamos de acidez, estrutura, textura, equilíbrio e potencial de guarda.

Mas por detrás de cada vinho que chega ao copo existe algo que nenhuma análise laboratorial consegue medir por completo: a interpretação de um enólogo.

É ele quem transforma uma matéria-prima extraordinariamente sensível — a uva — numa expressão líquida de um lugar, de um ano e de uma ideia.

Não existem duas colheitas absolutamente iguais.

Temperatura, precipitação, disponibilidade hídrica, amplitude térmica, exposição solar, pressão de doenças e momento de maturação alteram-se de ano para ano.

Por isso, um enólogo não pode simplesmente repetir uma receita. Tem de observar, medir, provar, interpretar e decidir novamente.

É esta capacidade de adaptação que transforma a enologia numa disciplina simultaneamente científica e profundamente humana.

Muito antes da vindima, o enólogo acompanha a vinha, observa o ciclo vegetativo, interpreta o clima, avalia o desenvolvimento da maturação e procura compreender o equilíbrio entre açúcares, acidez, pH, compostos fenólicos e precursores aromáticos.


Porque vindimar não significa simplesmente colher uvas maduras.

Significa decidir qual é o momento exato em que aquela uva contém o vinho que se pretende criar.

O momento da vindima, a escolha das castas, a fermentação, o estágio, a madeira ou a ausência dela — cada decisão do enólogo deixa uma assinatura no vinho.

Conhecer essa assinatura transforma a forma como provamos. Porque um grande vinho não é apenas aquilo que encontramos no copo.

É a expressão de um lugar interpretada por quem soube compreendê-lo.

Na Terroirs queremos dar a conhecer essas pessoas, as suas escolhas e as suas convicções.

Formada em Bioquímica, Antonina Barbosa construiu uma carreira marcada pelo rigor científico, pela discrição e pelo conhecimento profundo do vinho. Defende uma enologia de baixa intervenção, onde compreender profundamente a vinha, a uva e os processos de vinificação permite intervir apenas quando necessário.

Avessa aos holofotes e defensora do "estudo, muito estudo", resume a sua filosofia numa ideia simples: para fazer vinhos simples, autênticos e com pouca intervenção, é preciso saber muito.

Com mais de 25 anos de experiência, Hélder Cunha desenvolveu a sua carreira em diversas regiões vitivinícolas portuguesas, complementada por experiências internacionais em Napa Valley, Rheingau e Mosel. Fundador da Casca Wines, centra o seu trabalho na valorização do terroir, das vinhas velhas e das castas portuguesas, procurando interpretar a identidade de cada região através de uma enologia precisa e contemporânea. A sua filosofia, sintetizada no conceito "Novos Vinhos do Velho Mundo", alia conhecimento técnico, respeito pelo património vitícola e autenticidade na expressão da origem. 

Com formação inicial em Farmácia, Constantino Ramos redirecionou o seu percurso para a enologia, integrando em 2013 a equipa de Anselmo Mendes, onde aprofundou o conhecimento dos terroirs de Monção e Melgaço até 2022. Em 2016 iniciou o seu projeto pessoal, centrado em vinhas velhas de altitude, entre os 300 e 400 metros, solos graníticos de baixa fertilidade e práticas vitícolas pouco interventivas, procurando uma expressão precisa da origem.


Nascido em 1949, em Alenquer, e descendente de várias gerações de vitivinicultores, José Neiva Correia é um dos mais experientes enólogos portugueses e fundador da DFJ Vinhos, criada em 1998. O seu trabalho distingue-se pelo domínio da arte do lote, pela experimentação com diferentes castas e por uma abordagem enológica orientada para a consistência, qualidade e perfil sensorial do vinho.

Tem desenvolvido igualmente trabalho pioneiro na introdução de novas castas em Portugal e na investigação de soluções técnicas relacionadas com a conservação e vedação dos vinhos.