Notas de Prova

"Adaptámos a escala de Robert Parker de forma a colocar o cunho pessoal, de cada membro, na avaliação que faz de cada vinho."

O nosso sistema de avaliação delimita a pontuação numa escala que vai de 40 a 100 pontos. Todos os rótulos iniciam o processo de avaliação igualmente com 40 pontos. Os 60 pontos seguintes estão divididos da seguinte forma: O 1.Aspecto Visual vale no máximo 5 pontos e ele é, basicamente, a cor e textura do vinho; para o Aroma ou 2.Nariz, 15 pontos; na 3.Prova de Boca 20 pontos, 4.Potencial de Evolução 10 pontos e, valorizando a opinião de todos os nossos amigos, a 5.Nota Pessoal vale também um máximo de 10 pontos.



"Todos os vinhos avaliados serão contabilizados e processados os dados de forma a encontrarmos os resultados médios de todas as vossas participações."

Depois de todo este processo de avaliação, os valores são somados e os vinhos são separados nas categorias: Vinhos Altamente Recomendáveis (96 a 100), Muito Bons (90 a 95), Boa Compra (80 a 89), Médios (70 a 79), Inferiores à Média (60 a 69) e Inaceitáveis (40 a 59).


O Aspecto Visual é  um ponto importante pois dele pode depender a decisão de provar, ou não um vinho. Um vinho turvo, com sedimentos em suspensão e uma cor baça pode indicar defeitos. Esta primeira análise pode ser fundamental.
Existem quatro aspectos que devem ser considerados no exame visual:  limpidez, cor, viscosidade e efervescência, no caso dos verdes e espumantes.


Limpidez - Considera-se um vinho límpido quando não apresenta partículas em suspensão. Eleve o copo à altura dos olhos e observe atentamente.
Deve-se ter o cuidado de não confundir o vinho turvo com o vinho com depósito.  É importante colocar a garrafa de pé, em lugar fresco, duas horas antes da prova.

Cor - A intensidade da cor é decorrente da presença de matéria corante encontrada na película do fruto. Cada casta de uva tem o seu padrão próprio de cor.  De um modo geral, reflexos alaranjados em vinhos brancos e acastanhados em tintos devem ser entendidos com sinais de oxidação.

Efervescência -  Provavelmente um dos atributos mais importantes na avaliação do espumante. A quantidade das bolinhas,  o seu calibre e persistência são factores a ter em conta. Quanto mais numerosas, menores e mais persistentes as bolinhas, melhor o espumante. Alguns vinhos brancos, não espumantes, como por exemplo o vinho verde, podem apresentar uma certa efervescência.

Viscosidade - Para observar a viscosidade de um vinho e possível formação de lágrimas, devemos imprimir movimentos circulares ao copo, por forma a criar atrito do vinho nas paredes do mesmo. Quanto mais viscosas forem estas lágrimas, maior o teor alcoólico e o corpo do vinho.



O Nariz traz-nos a primeira sensação quando aproximamos um copo de vinho. Os aromas do vinho fazem parte de um registo histórico que o nosso cérebro grava ao longo da nossa vida. Os aromas libertados pelo vinho ajudam a avaliar a intensidade, o grau de evolução (jovem, velho, cansado, oxidado ou fora de prazo) e o carácter do vinho.

Existem 3 categorias para classificar os aromas do vinho: primários, secundários e terciários.


Primários - Aromas originários da casta e proporcionam um carácter especial ao vinho. Dependem da região, do estado de maturação da uva, entre outros fatores.

Secundários - Resultam da fermentação e da ação das leveduras sobre o mosto. Os compostos das leveduras e as condições de fermentação, por exemplo a temperatura, influencia estes aromas.

Terciários - São os aromas que resultam do processo e métodos de envelhecimento. Podem resultar do envelhecimento do vinho em madeira e em garrafa ou apenas em garrafa. O processo de envelhecimento origina aromas complexos, designados como o "bouquet" do vinho.


Prova de Boca - No primeiro gole, um pouco de vinho na boca, terá um impacto inicial, um paladar e um final de boca. Se quiser provar vários vinhos, cuspa as amostras (isto reduz o efeito negativo que o álcool provoca na sua capacidade de degustação). Para neutralizar o seu palato poderá simplesmente beber um pouco de água. Na prova existe uma "sensação de boca" caracterizada por seis parâmetros: Açúcares, Acidez, Taninos, Álcool , Corpo e Adstringência.


Açúcares - O vinho pode ser classificado como seco, meio seco ou doce. Normalmente, enófilos iniciantes relacionam vinhos secos com doces, pois confundem o sabor de fruta com o sabor doce. Um vinho é frutado quando tem aromas e sabores de frutas distintos. Açúcar e álcool, se houver, suavizam o vinho.

Acidez -  Extremamente importante na prova, confere frescura, elegância e equilíbrio ao vinho. A uva, como outras frutas em geral, contém ácidos, que geram uma sensação de frescura especialmente nos brancos e nos rosés, mas também nos tintos, formando uma parceria notável com os taninos.

Taninos - São os elementos encontrados na película e nas sementes das uvas. São extraídos durante a fermentação alcóolica no mosto. Vinhos brancos não possuem taninos porque a película das uvas não é utilizadas na fermentação. Já nos tintos, a substância é presente, pois a película é necessária no mosto para obter a cor da bebida.

Álcool - O álcool dos vinhos é formado durante a fermentação, quando o açúcar da uva se transforma na substância. Portanto, quanto mais maduras forem as uvas e mais intenso for o teor de açúcar da polpa, maior será o teor alcoólico do vinho. Os principais factores para um maior amadurecimento das uvas são o clima e as técnicas de vinificação.

Corpo - O vinho pode ser leve ou encorpado independentemente de ser branco ou tinto. Quanto maior a concentração de álcool, taninos e acidez, mais encorpado ele será.

Adstringência - Sensação gustativa provocada pelos taninos contidos nos vinhos tintos. Estes componentes que são responsáveis pelo corpo ou estrutura reagem com as proteínas da boca que perde momentaneamente o poder lubrificante da saliva ocasionando a sensação conhecida como "boca seca". 


Potencial de Evolução - Os vinhos tintos são marcados por modificações organolépticas que são parcialmente definidas pela sua estrutura original ou modificadas por agentes externos, como fenómenos oxidativos,  variações de temperatura ou meramente pelo passar do tempo. Isso ajuda e muito a manter desperto o interesse do enófilo mais atento às incertezas relativas ao carácter vivo e, portanto, variável e imprevisível dos vinhos ao longo de sua vida útil.


Nota Pessoal - Na escala original de Parker a apreciação individual não existe. Nesta nossa "Nota de Prova" uma visão geral do conjunto que estamos a apreciar poderá resultar num gradual ajuste dos gostos e preferencias de todos. Pontuamos no máximo de 10 pontos a nossa visão global sobre o vinho provado.


Todas as provas dos nossos membros podem ser enviadas aqui: